A ERA DA DESINFORMAÇÃO E AS “FAKE NEWS”

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ELLEN ARIADNE MENDES LIMA

Advogada e Vice presidente da 48ª Subseção da OAB/MG

Nos tempos atuais, todos nós podemos produzir e receber informação. Se por um lado essa possibilidade democratiza a comunicação, por outro facilita a divulgação de conteúdo feito sem responsabilidade, e infelizmente, cada vez mais são compartilhadas notícias falsas pela Internet.

Vivemos a era da desinformação em massa. Nunca houve tantas mentiras ou meias verdades espalhadas de forma tão rápida e com tamanho alcance. E como a distribuição acontece em rede, é difícil conter seu avanço ou identificar de onde partiu, e as agências de verificação de fatos realizam um trabalho hercúleo para desmentir os boatos, pois as informações verdadeiras não circulam com a mesma velocidade e nem atingem o mesmo alcance.

Atualizando para os dias de hoje a célebre frase do ministro da propaganda nazista, podemos dizer que uma mentira, se compartilhada mil vezes, vira uma verdade.

Chegamos a um ponto tão confuso que até notícias verdadeiras são acusadas de serem falsas, são as “fake news”, que não raro, acontecem por má fé.

É fato que, os boatos sempre existiram. Antes mesmo de existir a escrita, o “ouvir dizer” era o único veículo de comunicação nas sociedades. O rumor é uma prática que pode existir em qualquer grupo ou classe social basta lembrarmos da brincadeira do telefone sem fio, na qual uma mensagem passa de boca em boca.

Mas, entretanto, a divulgação de histórias falsas podem ter consequências reais, como causar prejuízos financeiros, constrangimentos, injúria e difamação de pessoas, empresas e organizações. Em casos extremos, pode originar até ações violentas.

No meio desse cenário social e digital, como se informar com qualidade? Na era da desinformação em massa, a saída será a revalorização dos veículos de jornalismo profissional. É neles que devemos nos fiar, ainda que de forma crítica e reflexiva.

A imprensa possui um papel estratégico nessa avalanche de informações de rápida disseminação, pois o jornalista trabalha com a credibilidade dos fatos, e deve ter sempre o compromisso com verdade e apuração precisa, para que seja uma fonte de informação confiável e de credibilidade.

No âmbito jurídico, a responsabilidade penal e civil para quem cria e dissemina notícias falsas, já existe, mas é necessário identificar essa pessoa ou a organização que patrocina esse tipo de coisa. Contudo, há situações que não são individualizadas e acabam atingindo o direito de informação da população de receber notícias verdadeiras. Esses casos são mais difíceis de serem avaliados.

No atual cenário político do país, temos enfrentado verdadeiras milícias digitais que utilizam as fake news para envenenar a política com ódio, medo e mentira.

Já existem três projetos de lei que tratam sobre a criminalização das fake news em tramitação no Congresso Nacional, mas os textos ainda dependem de debates e aprovações.

Paradoxalmente à era da informação, quando o que se mais vê são pessoas desinformadas, é preciso questionar: o quanto você sabe sobre aquilo que diz? E o quanto você pensa sobre aquilo que lê?  Fica a reflexão.

 

ELLEN ARIADNE MENDES LIMA

Advogada e Vice presidente da 48ª Subseção da OAB/MG

 

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