O “novo normal”. Qual o papel da advocacia?

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  • Ellen Ariadne Mendes Lima – Advogada e vice-presidente da 48ª Subseção da OAB/MG em Divinópolis. E-mail: ellenariadne@hotmail.com

A pandemia da Covid-19 nos trouxe de presente a incerteza, como um sentimento fixo e praticamente generalizado em indivíduos, organizações governamentais e sociedade civil.

A partir de novas premissas e comportamentos, surgiu esse termo “o novo normal”, usado indistintamente pela maioria, e perdoem-me a intervenção de meus pensamentos: que chatice! E assim, refletindo sobre a minha antipatia do “novo normal” fiz uma breve reflexão do papel da advocacia nesse cenário e de que forma isso nos impactou.

Uma das coisas que já sabia, mas se concretizou durante a pandemia, é que realmente a advocacia é uma profissão sem fronteiras, podemos trabalhar no sistema eletrônico judicial, em qualquer lugar do país, e quiçá do mundo.

A virtualização dos processos físicos e a inserção de forma efetiva do processo judicial eletrônico na vida de todos nós, eram esperadas a longo prazo e a atualidade nos demonstra que não há mais prazo, o prazo é AGORA!

Se o “novo normal” da advocacia não é realidade para alguns, que se adaptem, pois novos paradigmas de reestruturação das legislações estão sendo construídos a partir disso e somos nós, profissionais do Direito, que temos o direito e o dever de colocar essa máquina em funcionamento, para que o Judiciário informatizado, possa se utilizar de mecanismos virtuais seguros, garantindo a efetiva prestação jurisdicional.

Uma das coisas importantes que a crise despertou foi a imprescindibilidade da advocacia.

Já pararam para pensar em quantas alterações legislativas significativas que o estado de pandemia gerou? Impactos de natureza sanitária produziram efeitos em todos os setores da vida em sociedade, através de decretos e leis editadas e promulgadas durante a pandemia.

O profissional especialista nunca trabalhou tanto e foi, e é constantemente colocado à prova.

É por essas e outras considerações, que o “novo normal” me aborrece, mas atentem-se é só um termo que tomei “ranço”, pois, apesar de amplamente debatido, seu significado é impreciso, pois não leva em conta que o mundo a qual sempre vivemos, está em constante transição e inovação. Há quem diga que vivemos um “novo normal” a cada segundo.

Precisamos ultrapassar e nos transformar cotidianamente, e essa transformação exige a superação de muitos obstáculos, como os relacionados à inclusão digital. É possível sim, exercer o Direito à distância, nos utilizar da tecnologia para um trabalho cada vez mais compartilhado e multidisciplinar, e além disso, praticar mais a objetividade e acessibilidade.

Em suma, o “novo normal” do Direito, bem como em qualquer outro setor, tende a ser um termo muito simplista para a vida real. A pandemia tende a nos ensinar mais sobre empatia e coletividade, do que simplesmente um novo normal de rotina e vida.

O que temos além da enorme aceleração das transformações tecnológicas e multidisciplinares que já vinham acontecendo, pois a tendência é que irá ocorrer cada dia mais, é uma nova forma de se relacionar com o mundo, com as pessoas e de que forma os desdobramentos da pandemia retornará para a rotina de todos nós.

Ellen Ariadne Mendes Lima – Advogada e vice-presidente da 48ª Subseção da OAB/MG em Divinópolis. E-mail: ellenariadne@hotmail.com